A mudança para garantir a luta pelo amanhã

A mudança para garantir a luta pelo amanhã

O início da trajetória de uma jovem líder que transformou a formação em responsabilidade ativa diante dos desafios contemporâneos da comunidade judaica

Por Valentina Charifker*

O Manheguim Tzeirim é idealizado por diretores latino-americanos do JEVF – Jewish Education Vision Forum –, com o propósito de preparar jovens de 15 a 17 anos para assumir, futuramente, posições de liderança em suas comunidades. O programa fundamenta-se no fortalecimento de valores judaicos, no estudo da relação Israel–Diáspora e na construção de lideranças ativas comprometidas com a continuidade e a união do povo judeu, capazes de refletir suas raízes e princípios sionistas, especialmente diante dos desafios contemporâneos.

Aquilo que eu acreditava ser apenas um projeto de formação revelou-se, com o tempo, um profundo processo de consolidação de identidade, engajamento e, sobretudo, responsabilidade – não apenas comigo mesma ou com o próximo, mas com um povo: o compromisso coletivo voltado à permanência e à preservação da nação judaica no mundo.

Segundo o dicionário, a palavra mudança significa “tornar diferente do que era”. Essa definição é correta, mas limitada. O que vivi ao longo dos meses no programa não pode ser traduzido apenas em palavras, pois não se baseou somente na aquisição de novos conhecimentos, mas na transformação da maneira como enxergo a mim mesma, minha comunidade e o papel que desempenho dentro dela.

Antes, ser judia, para mim, representava conhecer a história do povo judeu, frequentar sinagogas e escolas judaicas e celebrar festividades. Contudo, após o programa – e diante das diversas questões enfrentadas pelo povo judeu, como a guerra iniciada em 2023 – percebi o quanto essa compreensão era restrita. A identidade não se sustenta apenas na crença e na memória, ela demanda uma responsabilidade ativa diante da realidade vivida. Entendi que possuo um papel e um propósito a cumprir para fortalecer minha comunidade: ser responsável para integrar a luta; confiante para falar e ser ouvida; íntegra para inspirar confiança; e aberta para ouvir mais do que apenas a minha própria voz.

Mudei. E aprendi que liderar é assumir a responsabilidade de ser tudo isso, sem jamais deixar de aprender em favor da comunidade. Com o Manhiguim Tzeirim, Pude observar na prática como permitir-se sentir medo e inseguranças pode tornar um líder melhor.

Hoje, para mim, ser uma futura jovem líder judia significa representar meu povo, tornar-me voz de sonhos e reflexo de uma identidade que inspira e transforma o mundo ao nosso redor. Carrego o orgulho das minhas origens com a certeza de que cada passo honra a história e a luta daqueles que vieram antes de nós. A lutapelo amanhã começa hoje, e cada iniciativa e cada discurso responsável nos aproximam, passo a passo, dessa continuidade.

*Valentina Charifker, aluna do Colégio Renascença Jewish and Bilingual

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